Café Literário aborda fake news e inteligência artificial na política
A mesa contou com os jornalistas Emiliano José, Jean Wyllys, Midiã Noelle e Tarsilla Alvarindo.

No segundo dia da Bienal do Livro, nesta quinta-feira (16), contou com a presença dos jornalistas Emiliano José, Jean Wyllys, Midiã Noelle e Tarsilla Alvarindo no palco do Café Literário. A conversa mediada por Tarsilla Alvarindo teve como tema a disseminação de fake news e a desinformação não apenas como um problema tecnológico, mas sim um desafio social.
Emiliano José deu início à roda de conversa falando sobre como toda inteligência artificial é guiada e comandada por seres humanos, e como é importante adotar o princípio da desconfiança e da crítica em relação aos grandes meios de comunicação do Brasil. Para o jornalista, o problema vai além da inteligência artificial, trata-se de uma movimentação ainda mais articulada.
Ele pontuou que a grande mídia tradicional e empresarial, como os jornais “O Globo” e a "Folha de São Paulo”, perderam sua centralidade e já não detém o mesmo peso na disseminação de informações e finalizou concluindo que as fake news, inteligência artificial e as redes sociais na prática, constituem um só pensamento e não se separam do ser humano e da visão política.
Café Literário — Foto: Michel Cabral
Ainda no ínicio do Café Literário, Midiã Noelle chamou a atenção para como a desinformação parte de um lugar de banalização de corpos negros e como a cultura do golpe ajuda com disseminação de informações falsas.”É importante que se faça um letramento midiático nas escolas”, afirma. A mestra em Cultura também defendeu que é necessário desenvolver mecanismos para neutralizar como a inteligência artificial impacta nosso cotidiano.
Perto do fim, o escritor Jean Wyllys conduziu uma abordagem mais pedagógica ao traçar uma linha do tempo sobre as transformações que os veículos de comunicação sofreram ao longo das décadas. Apontando que pós-verdade foi a palavra mais citada de 2016, mesmo ano, segundo ele, do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e do bombardeio de narrativas diferentes no debate político, Jean explicou que a alta no uso do termo significa que as pessoas estão abandonando cada vez mais verdades para aderirem à aquilo que as convém.
A partir dessa análise, ele enfatizou que estamos em um fluxo ininterrupto de informação. Concordando com a fala de Midiã, terminou defendendo que a alfabetização das crianças e o letramento midiático precisam caminhar juntos, pois toda criança deve crescer compreendendo que existe a internet e todos nós estamos expostos ao risco de consumir desinformação e de compartilhar notícias falsas.
Antes de abrir espaço ao público para perguntas, Tarsilla trouxe a reflexão de que nós somos promotores de desinformação indiretamente. Ela explica que isso se torna um desafio social à medida que compromete a democracia com a rapidez com que conteúdos falsos se espalham e aplicativos de mensagens geram impactos concretos.
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