Café Literário reúne Ailton Krenak e Vanda Machado para discutir sobre ancestralidade indígena e negra
O evento contou com uma grande adesão do público, o que resultou numa longa fila para entrar na sala.

A programação do Café Literário da Bienal do Livro Bahia desta sexta-feira (17) reuniu a participação do líder indígena Ailton Krenak e da escritora Vanda Machado, com mediação do jornalista André Santana, para uma conversa sobre “Memória Indígena e Memória Negra: Futuros Possíveis”. A sala do Café Literário terminou lotada para ver os dois intelectuais brasileiros. Krenak e Vanda, em seus discursos, trouxeram suas ideias sobre o que é o futuro.
Ailton Krenak (à esquerda), André Santana (ao meio) e Vanda Machado (à direita) no Café Literário — Foto: Eric Tavares
O evento tinha previsão para iniciar às 18:00 horas da noite. Antes da abertura dos portões, uma longa fila foi formada na entrada para entrar na sala. Dentre a programação, o Café Literário com Krenak e Vanda era um dos mais esperados na Bienal deste ano. A prévia da fila em caracol adiantou o quão cheio estaria o local no horário.
Maíra Azevedo, jornalista, escritora, atriz e curadora das mesas da Bienal, acredita que a grande procura pelo evento demonstra o desejo do público em querer consumir cultura. “Essa é mais uma forma da gente mostrar que aquela conversa de que o povo não quer ler é um grande engano. O povo quer sim, tanto que as pessoas estavam aqui e de fato brigando para ocupar esse espaço. Então, isso só demonstra a nossa vontade de consumir a nossa cultura e de ouvir os nossos mais velhos e as nossas mais velhas”, explicou Maíra.
Segundo ela, ouvir nomes que estão construindo o futuro a partir do presente é importante para atrair a atenção do público sobre o tema. “É muito importante a gente pensar no futuro, mas ouvindo inclusive quem construiu. Acho que o Ailton Krenak e a professora Vanda são dois nomes tanto do movimento indígena como do movimento negro que possibilitam a construção dessa visão do futuro e, como eles mesmo disseram aqui na mesa, esse futuro é agora, esse futuro já aconteceu, esse futuro foi ontem. Então, para a gente pensar no futuro, nada melhor do que falar com as pessoas que ajudaram e estão construindo o nosso presente, porque o nosso futuro de fato é ancestral. A gente não pode esquecer disso”, completou Maíra.