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Paloma Amado e Pilar Del Rio relembram a amizade entre Jorge Amado e José Saramago na Bienal do Livro Bahia

15/05/2026 Feito por Eric Tavares 0 visualizações

Durante o Café Literário, as escritoras relembraram histórias envolvendo o afeto e cuidado dos autores em sua amizade e com seus parentes.



A Bienal do Livro Bahia reuniu Paloma Amado, filha do escritor Jorge Amado e membro do Conselho Diretor da Fundação Casa de Jorge Amado, e a espanhola Pilar del Río, atual presidente da Fundação José Saramago e viúva de José Saramago, para relembrar a amizade entre os autores. O momento ocorreu durante a mesa “O Sal da Vida” do Café Literário mediada pela escritora Joselia Aguiar, no sábado (18). O evento contou com lembranças, reflexões sobre o que é a amizade, histórias pessoais de Jorge Amado e José Saramago e sobre a importância de preservar a memória.

No início do evento, Pilar relembrou que José Saramago e Jorge Amado já haviam se encontrado antes, mas Saramago não quis se apresentar para o escritor baiano por vergonha. No entanto, tiveram outra oportunidade na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha. Lá, ambos iniciaram uma amizade que durou por anos. “Se Saramago tivesse olhado um pouquinho mais o papai, ia saber que ele podia se jogar nos braços dele, que ia ser feliz”, comentou Paloma.

Josélia Aguiar (à esquerda), Paloma Amado (ao centro) e Pilar del Rio (à direita) no Café Literário  —  Foto: Eric Tavares

Ela também contou sobre quando Jorge Amado não conseguia parar de escrever para um livro. Como solução, ele partiu em viagem de navio pela Europa para tentar interromper a escrita. Assim que entrou no navio, ele enviou sucessivas cartas manuscritas por fax para sua filha redigir. “Papai me telefonou e disse: ‘Olha, minha filha, tinha faltado umas duas ou três notas. Eu fiz. Vai ver em casa que deve ter o fax’. Eu fui lá, tinha 11 metros de largura pelo chão. Eu cortei aquilo, arrumei, passei a limpo, de hoje. No dia seguinte ele me perguntou de novo: ‘Volta lá que tem mais’”, contou Paloma.

Para ela, o que mais representava o valor da amizade entre os dois foi o momento em que Jorge Amado descobriu que Saramago havia ganhado o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998. O escritor baiano estava doente, com deficiência visual e debilitado após um infarto fulminante. Ele costumava passar os dias deitado na poltrona, sem levantar. Uma das poucas vezes em que isso aconteceu, foi quando descobriu que Saramago venceu o desejado prêmio:

“Dissemos: ‘Jorge, temos que te contar. José ganhou o prêmio Nobel.’ E ele deu um pulo. ‘Prêmio Nobel? Que maravilha!’ Ele falava sem parar. Até disse: ‘Minha filha, pegue aí um papel que eu vou te ditar uma nota para a imprensa’. Era uma ansiedade dele e eu acho que isso é o melhor remédio que a amizade tem. A amizade, o afeto e essa generosidade que é você compartilhar com o seu igual a vitória”, contou Paloma.

Pilar e Paloma relembram o valor da amizade e do afeto  — Foto: Eric Tavares

As entrevistadas encerraram o evento respondendo às perguntas do público e seguiram para a sessão de autógrafos. Segundo Pilar, relembrar as memórias desses intelectuais é trazer para o futuro os seus pensamentos em relação à difusão de cultura. “Estamos cuidando para que os leitores encontrem sempre os livros deles, porque eles não escreveram somente para si mesmos ou seus amigos. O legado que os escritores nos deixaram era para os leitores”, completou.

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