Cobertura

Reunião do CONSEPE instaura semestre atípico em 2026.1 devido a problemas no SIGAA

15/05/2026 Feito por Michel Cabral e Pedro Bahia 0 visualizações

Pela segunda vez seguida, o semestre é considerado atípico após dificuldades com as matrículas dos estudantes no novo sistema de matrícula da UFBA.

Capa






A reunião do CONSEPE votou a favor da atipicidade do semestre 2026.1. A reunião na reitoria, na quarta feira, 1° de abril, contou com a presença dos conselheiros, da coordenação da Superintendência de Administração Acadêmica (SUPAC), da Pró-Reitoria de Graduação UFBA (PROGRAD) e dos diretórios dos movimentos estudantis como o Diretório Central do Estudantes (DCE), o Centro Acadêmico Vladimir Herzog (CAFACOM), a União dos Estudantes do Estado da Bahia (UEB) e outros. A revolta dos estudantes com o SIGAA se dá pela impossibilidade em cursar as matérias desejadas, os impactos no processo de formação acadêmica que o sistema causa ao bloquear o acesso dos estudantes às matérias que são obrigatórias para o curso e pela continuação dos problemas que forçam a ida à universidade para assistirem apenas uma matéria.

Ao fim da reunião, foi declarado que o semestre 26.1 será atípico, com os diretórios adicionando a minuta da atipicidade. Os estudantes não poderão ser reprovados por falta, será possível se inscrever em qualquer componente até 20 de abril sem contabilização de faltas nesse período. De acordo com o DCE, o semestre não conta para integralização curricular e passa a existir a possibilidade de converter trancamento em exclusão. No entanto, a portaria ainda não foi publicada pela CONSEPE.

O Semestre 2025.2 foi marcado por estudantes prejudicados que não conseguiram se matricular em disciplinas obrigatórias, essenciais para a continuidade do curso ou para sua conclusão, sobretudo dos Bacharelados Interdisciplinares (os BI´s) que foram os mais impactados. Lucas Romeu, Diretor de assuntos acadêmicos do DCE, afirma que “os estudantes do bacharelado interdisciplinar que tiveram uma demora para pegar suas matérias, da migração do CPL, não só os que fizeram a migração do CPL, mas como também muitos que estão solicitando aproveitamento do BI ou não, e o aproveitamento ainda não entrou”.

Esses problemas vêm se estendendo desde o fim do semestre de 2025.1 com a transição do antigo sistema de inscrição de matérias, o SIAC para o SIGAA. Essa mudança veio da necessidade de fornecer um certo conforto sistêmico, tendo em vista que o SIAC era um sistema antigo, apresentando falhas em comportar aproximadamente 45 mil estudantes e sendo pouco intuitivo no manuseio, já o SIGAA mesmo sendo relativamente novo (22 anos de criação), apresenta falhas excessivas sendo mais problemático que o sistema anterior.

Reunião do CONSEPE - Foto: Michel Cabral

Tobias Muniz, presidente do CAFACOM, declarou que acolhe reclamações de muitos estudantes que receberam apenas uma matéria. “É a mãe trazendo sua filha, que ingressou na universidade com cotas trans, que é uma conquista de direitos aqui dentro dessa universidade e que prezava que a filha tivesse mais matérias, mais componentes, porque é um esforço diário para sair do bairro dela para estar aqui e se depara apenas com um componente.” exclama Tobias. 

Nancy Vieira, pró-reitora da PROGRAD, expôs que o sistema não foi implementado antes de 2025.2 devido a pandemia. “Ela atrasou a implantação do SIGAA na graduação. Passado isso, esse processo foi retomado e foi sendo realizado”. Perguntada sobre prazos para implementação do sistema, a Pró-reitora Nancy afirmou que o cumprimento de uma lei que determina a produção dos diplomas digitais foi o motivo pelo qual o SIGAA foi implantado no meio de 2025.2, considerando que haveria um número menor de processos seletivos e portanto um menor impacto na comunidade acadêmica da universidade.

A migração do sistema SIGAA trouxe luz às diferenças dentro da universidade. Adriano Rocha, conselheiro e professor da Faculdade de Administração, afirmou que “talvez as características do sistema ligadas às características da universidade trouxeram à tona uma série de diferenças, de diversidade, de problemas que estão se agravando desde o ano passado para cá. O que a gente vê, sim, é um trabalho intenso da PROGRAD e da SUPAC para resolver esses problemas. Então, dá um trabalho terrível, a universidade é muito grande, é muito diversa” declara Rocha.

Devido a esse impasse, muitos professores atrasaram o período letivo até abril. Pensando na saúde dos estudantes, os diretórios se uniram e, durante a reunião do CONSEPE, fizeram petições aos conselheiros, modificando por meio de votação uma minuta que torna o semestre atípico. 

Um semestre atípico é visto de forma ambígua por alguns professores. Enquanto uns são contrários à atipicidade, por servir como um pretexto aos alunos que estão regularmente matriculados nas aulas à faltarem, pois agora a falta não reprova. O professor Adriano Rocha vê como algo desafiador, mas se bem projetados podem não impactar na qualidade do curso. “Eu acho que depende muito da qualidade do curso, de um projeto pedagógico de cada curso, de docentes envolvidos que possam trabalhar mesmo com essas peculiaridades”, afirma Rocha. 

Átina Batista, presidente da UEB declarou que a importância da aprovação do semestre atípico para a não evasão estudantil e destaca também que um estudante prejudicado deixa de acreditar nas instituições de ensino “A gente precisa apelar pela atipicidade do semestre, independente de ter a porcentagem de estudantes prejudicados ou não. Um estudante prejudicado é um estudante que não vai mais às aulas, que vai evadir a universidade. Isso é uma questão que pode acontecer. É um estudante que não vai acreditar mais na Universidade Federal da Bahia e em nenhuma outra instituição e vai ficar por isso mesmo?” questiona Átina.

Ao fim da reunião do CONSEPE, foi declarado o semestre de 2026.1 como atípico, com os diretórios adicionado a minuta de atipicidade: a não reprovação por falta, a possibilidade de inscrição em componentes que poderá ser feita até o dia 20 de Abril, que corresponde a 35% do semestre sem contabilização de faltas devido aos danos causados pelo sistema e o trancamento de matérias até o último dia. Além disso o semestre não contará para integralização curricular e passa a existir a possibilidade de conversão do trancamento em exclusão.

Deixe seu comentário