A escala 6x1 e aqueles contra o povo
Após a aprovação da 6x1, houve uma discussão grande sobre os direitos trabalhistas e como tudo será implantado, porém tem alguns que desejam tudo contra os trabalhadores.
Defender os próprios interesses enquanto ignoram os impactos sociais parece não ter sido suficiente. Agora eles buscam impedir que o trabalhador ganhe o básico sem ter que passar 6 dias trabalhando. A PEC da 6x1, que busca diminuir a escala para 5x2, mantendo o salário mínimo e diminuindo o horário de trabalho gradualmente, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em abril.
Com a aprovação, o projeto pode chegar na Câmara dos Deputados, onde será votado e poderá mudar a vida dos trabalhadores. Porém, muitos da câmara não aprovaram o projeto do jeito que está. Alguns deputados de direita, como Nikolas Ferreira, defendem a criação do “Bolsa Patrão”, que faria com que o governo tivesse que pagar os empresários por causa da mudança de escala, que eles dizem que vai acabar com o país. Apesar disso, 66,8% das pessoas conseguem trabalhar no 5x2, de acordo com estudo do Ministério do Trabalho, sem que isso afete diretamente as empresas e a economia.
Outros ainda discutem com ideias que parecem uma piada de mal gosto. Um dos pontos mais levantados é que o empregado pode negociar com o patrão, um desejo antigo de deputados de direita, que desejam acabar com a CLT. Pode parecer uma ideia boa, para quem não tem nenhuma noção da realidade brasileira, onde muitos patrões maltratam seus funcionários ou até os deixam em situação análoga a escravidão.
Um caso recente é o da empregadora de São Luís que agrediu e ameaçou sua empregada, que está grávida e tem somente 19 anos, tudo por causa de um suposto anel. Apesar de toda a comoção pelo caso, ela só foi presa após tentar fugir da polícia, que não tinha prendido ela pela primeira vez, quando encontraram a jovem com hematomas.
Além de não ter confiança com seus patrões, os trabalhadores podem não contar com a justiça. O desembargador Jorge Luiz de Borba e sua esposa mantiveram a empregada doméstica Sônia Maria de Jesus presa dentro da casa deles por cerca de 40 anos, em Florianópolis. Mesmo após ter sido resgatada, o ministro Mauro Campbell Marques, que estava julgando o caso, permitiu que os investigados pudessem rever a empregada, discordando que Sônia estava em condição análoga a escravidão. Ele declarou que seria “nítido que, pelos últimos 40 anos, a suposta vítima do delito viveu como se fosse membro da família, não havendo razões, portanto, para se obstar o pleito formulado pela defesa”.
Todos esses anos de reclusão afastaram Sônia de sua família e de sua mãe, a qual ela não via desde os 9 anos, quando foi levada pelo casal em Osasco, e infelizmente nunca mais terá a chance, já que a mãe morreu em 2016, sem realmente saber o resultado final do caso.
A perda de tempo é uma das defesas para a escala, e foi usada na propaganda mais recente feita pelo presidente Lula. Com 44 horas para 6 dias, o único dia de descanso se torna o dia para arrumar a vida pessoal, como limpar casa, fazer comida, cuidar de alguém caso tenha uma família. Essa perda de tempo se tornou rotina para 33,2%, do mesmo estudo, da população brasileira, que vive presa ao trabalho estressante e aos afazeres domésticos.
Enquanto essas pessoas sofrem, os deputados, de extrema direita, entram em discussões esdrúxulas para fazer o povo esquecer os problemas principais, como a briga de eleitores e políticos em cargos importantes contra a Anvisa, que está recolhendo todos os lotes da Ypê com o final 1. Além do incentivo, muitas pessoas comuns estavam comprando o produto aos montes, achando que o que eles fazem está destruindo o sistema, acabando apenas se colocando em risco só para serem contra regulações de segurança.
A sociedade está em um momento frágil, onde enquanto temos um lado tentando discutir pela melhora do povo, o outro lado entra em discussões pífias para tirar a atenção do ponto principal, entretanto, eles acabam agindo contra os interesses da população que os elegeu. Em um ano onde as eleições estão próximas e todo mecanismo de comunicação será usado para ataques verdadeiros e mentirosos, principalmente mentirosos, é necessário existir a busca de informações verdadeiras e procurar quem está disposto a buscar o melhor para o povo e não quem transforma o debate político apenas em oposição vazia.
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